30 mil ações pendentes: o que os números do judiciário italiano dizem sobre a cidadania

Decreto Tajani não freou a via judicial: saiba o que os dados do tribunal de Veneza revelam.

A nova legislação sobre cidadania italiana, em vigor desde março de 2025, foi apresentada pelo governo italiano como uma solução para reduzir o volume de ações judiciais movidas por descendentes no exterior. Passado menos de um ano, os próprios tribunais contradizem essa expectativa.

Este artigo explora o cenário atual da cidadania italiana, analisando o impacto limitado do Decreto Tajani na redução dos processos judiciais, com base em dados recentes do Tribunal de Veneza.

 

OS NÚMEROS QUE O TRIBUNAL DE VENEZA DIVULGOU

Na cerimônia de abertura do Ano Judiciário, em 30 de janeiro de 2026, a presidente da Corte de Apelação de Veneza, Rita Rigoni, expôs uma realidade difícil de ignorar.

Em 30 de junho de 2025, o tribunal registrava 30.728 ações de cidadania pendentes, o equivalente a:

  • 78,90% de todos os processos da seção especializada em proteção internacional;
  • 65,85% do total do contencioso da corte;
  • Cerca de 44% de todas as ações de cidadania em tramitação na Itália.

Além disso, entre 1º de janeiro e 22 de setembro de 2025, ou seja, em menos de dez meses, foram abertas 10.660 novas ações. Um número equivalente a tudo o que foi protocolado durante todo o ano de 2023.

 

O QUE O DECRETO TAJANI MUDOU (E O QUE NÃO MUDOU)

O Decreto Tajani trouxe dois ajustes principais: novos critérios para reconhecimento da cidadania e o aumento do contributo unificato para € 600 por requerente. A lógica era simples: encarecer e dificultar o acesso desestimularia novos processos.

Rigoni reconhece que houve algum efeito, mas foi modesto: “As reformas permitiram apenas uma leve diminuição das novas ações.”

Um agravante estrutural reforça o problema: Veneza, apesar de concentrar quase metade das ações de cidadania de todo o país, é um tribunal distrital, com recursos humanos e materiais inferiores aos grandes tribunais metropolitanos italianos.

 

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM AINDA QUER BUSCAR A CIDADANIA

Para os descendentes que ainda pretendem ingressar com ação judicial, o cenário exige atenção redobrada em dois pontos:

  1. Tempo de espera tende a crescer. Com o estoque de processos acumulado e novos ingressos constantes, as estimativas de conclusão se alongam. 
  2. Mudanças legais adicionais podem surgir. Os critérios de reconhecimento introduzidos pelo Decreto Tajani ainda estão sob análise da Corte Constitucional italiana, ou seja, o marco legal do processo segue em evolução e pode mudar novamente.

 

VIA JUDICIAL AINDA VALE A PENA?

Hoje é a única via possível. O volume alto de processos não significa que a via judicial perdeu eficácia, significa que escolher bem o advogado, preparar a documentação corretamente e contar com orientação especializada faz toda a diferença no tempo e no resultado.

A via administrativa, pelos consulados, não existe mais, a Itália aprovou a abertura de um novo órgão dedicado a esse atendimento, em Roma, a partir de 2029. A via judicial, quando bem conduzida, ainda oferece maior segurança jurídica para todos os casos.

Os dados de Veneza são um termômetro claro: o interesse dos descendentes pela cidadania italiana não diminuiu, e as reformas legislativas não foram suficientes para conter esse movimento. Para quem ainda está avaliando dar o próximo passo, o momento de agir com planejamento é agora, antes de novas restrições ou do aumento da fila.

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